Alguns dias sem PC, isso me deixa noiada como diz o JV, ficar sem escrever me deixa meio sem noção, estressadinha, sabe como é, viajo na quarta pra casa dos meus pais, é páscoa e eles querem que eu vá visitá-los, querem que eu fique por lá um fim de semana inteiro, a única vantagem alem de vê-los que encontro em ir a Devil’s Kettle é a cachoeira, ela me acalma, sempre vou lá para pensar, e escrever.
Nos últimos dias, os encontros com Derick têm ocorrido com mais freqüência, mas sempre misteriosos, como já é de costume. Outro dia na fonte enquanto eu lanchava um sanduíche de atum e vitamina de mamão, ele se aproximou por trás e comentou algo sobre meu lanche, vi que ele estava com um livro “Lolita” de Vladimir Nabokov, eu ri quando ele disse que me imaginava como uma Lolita, e algumas pessoas já haviam me dito isso, que eu parecia ninfa, sinceramente, não vejo nada de sexy em ser infantil. Eu mal conseguia me ligar no que ele falava somente prestava atenção nos seus enormes cílios me olhando em silencio, como se estivesse tentando ler meus pensamentos, ah aquele olhar, ele olhou profundamente, aproximou-se, beijou-me levemente o lado direito do pescoço, senti enquanto seu rosto ultrapassava o meu na tentativa de uma maior proximidade, o cheiro de perfume masculino, um que eu já haverá sentido antes, mas não fazia idéia de onde, quando ou em quem sentira aquele perfume, o fato é que estava tão fora de mim no momento em que ele me beijara que me esqueci do mundo, estava sim voando, com os pés no chão, ou melhor, a bunda na beirada da fonte, senti meu corpo todo arrepiar, como uma reação em cadeia, o mundo girou ao meu redor, e eu perdi meu chão, Deus e aquela voz sussurrando ao meu ouvido, “ hoje as 22:00”, e se foi, adoro esse clima de mistério que ele deixa pairando no ar sempre que nos encontramos, o que acontecera as 22:00 hrs daquele dia? Acontecera algo que surpreendentemente eu não poderia prever, embora passasse aquela quinta feira inteirinha pensando nele, e sobre o que ele haverá falado mais cedo.
Ele não disse local, ou o que eu deveria fazer somente as horas e o dia, então ao fim da aula fui ao meu dormitório, tomei banho, coloquei perfume e hidratante de carambolas que trouxe da Holanda na viagem de férias, coloquei um vestidinho, leve, estava lendo “Cem anos de Solidão” quando levei um tremendo susto, jogaram um buque de rosas brancas na minha janela, eu saí na varanda e o vi la em baixo, ele gritou “- O cartão”, eu não tinha me tocado que haverá um cartão no buque, e no cartão escrito “- Põe um casaco, minha Flor, desce do teu trono Princesa, vem viver comigo um sonho de fadas, te espero embaixo da roseira, te apressa meu anjo, pois cada minuto longe de ti, é uma eternidade”
Meu coração tremia, minhas pernas tremiam, eu corri ate o armário e peguei um casaco, e desci, ele estava lá, embaixo da roseira com uma lanterna, um saco de dormir, seu violão, e uma garrafa de achocolatado quentinho, ele riu aberto enquanto me aproximava como se dissesse nos pensamentos “- Ela veio”. Sim eu tinha ido, eu estava lá, como ele, um quase desconhecido pelo que eu sei, seguimos em direção a velha capela, perto do lago Tahoo, ficamos embaixo de uma macieira, não falamos muita coisa, eu estava gelada, ele me cobriu com um edredom e me deu um pouco de achocolatado, não sei como ele sabia que eu não tomava café, mas ele sabia me abraçou e me esquentou com seus braços, aquele cheiro novamente atingiu meu olfato e eu suspirei, ele me colocou no saco de dormir, e tocou algumas musicas no violão enquanto esperávamos o dia nascer, ao fim ele deitou-se ao meu lado, tocou meus cabelos, sentindo meu cheiro, e nesse momento virei em sua direção, olhei no mais profundo de seus olhos, eu o beijei, sutilmente, e levemente, como se fosse aquele meu primeiro beijo, foi rápido, mas durou uma eternidade, não nos falamos muito, e as 6:00 ele me levou de volta ao dormitório, tímido e lindo, com aquela voz rouca disse: “- lembra da primeira musica, fica comigo menina bonita?” eu respondi um pouco vermelha : “- eu já estou contigo”. Ele riu de canto de lado e deu de ombros saindo em direção a roseira, foi quando gritei: “- Quando te vejo outra vez” ele respondeu já bem longe de mim: “- Você vai saber quando chegar a hora”. Eu sinceramente, não saberia, mas adoraria esperar por esse momento, e esperaria ansiosamente.
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