sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mas é exatamente quando a gente está cansado, que o coração distraí então a sorte vem

È incrível o rumo que as coisas estão tomando, ontem eu tinha planejado um dia totalmente diferente do de hoje, onde eu não me preocuparia com todos esses garotos ao meu redor, e toda a confusão da minha cabeça, e a explosão de sentimentos no meu coração, mas de repente, uma jóia rara, uma imensidão escura, me afundei, mergulhei e me perdi, reencontrei  Derick, por acaso, e não com menos mistério, ele estava la, o olhar mais profundo que já encontrei antes, como se quisesse me dizer algo , como se pudesse ouvir as batidas desesperadas do meu confuso e indeciso coração, assim como ouço as notas desesperadas do seu violão, sob sua voz grave cantando aquilo que me encanta, cantando e encantando, palavras e canções que só eu posso ouvir, segredos inocentes e infantis, bobagens, besteiras, silencio, o tudo.
Foi na fila do almoço, eu não espera o encontrar, após uma aula chata de calculo, tão exato, minha cabeça cheia, e a voz de um anjo, como se preocupado comigo, falando: - Devia comer menos bata frita, vai acabar engordando. E olhando fixamente no fundo dos meus olhos como se estivesse lendo meus pensamentos, o algo mais profundo em minha alma, respirou fundo, riu e me abraçou, e com a voz grave e rouca mais linda do mundo sussurrou no meu ouvido, baixinho, como se sussurra um soneto a pessoa amada, sussurrou palavras inéditas pelo menos pra mim: - Adoro cheiro frutal, que me remete a ultima vez que nos vimos, não consigo parar de pensar em você, eu não sei o que isso significa, mas quero que seja nosso segredinho, e nos encontraremos sempre para compartilharmos dele , tudo bem?
Quase que imóvel, fiz que sim com a cabeça, gelada e sem entender direito o que se passava, ele e beijou a face, e dirigiu-se a moça da cantina dizendo: - Deveria por menos gordura nisso, quer por acaso matar a todos nós? Teremos um infarto fulminante, todos riram, e ele se foi.
Não tive tempo para perguntas, na tive tempo para obter respostas, ainda não sei quem ele é, mas não esqueço o timbre da sua voz de forma alguma, o olhar profundo me surpreende a cada vez que tento encontrar o motivo para tanto mistério, tanto segredo, ao menos sei agora que o soneto de amor total que encontrei nas minhas coisas a uns dias atrás, sei por quem foi escrito, e é incrível como ele me conhece bem, sem nunca termos nos encontrado antes de sábado, meu poema favorito, minha musica, o violão, os sussurros.
Eu não sei quem ele é, curiosa ao extremo tento descobrir, afinal não há nada mais, que um céu azul pra gente voar, se ele for mesmo quem eu penso que seja, ah um anjo de assas douradas azuis, e olhos escuros
                                                                                                                                                                                                                                                         

“Às vezes faço o que quero, às vezes faço por que tenho que fazer”

Essa idéia louca de intercalar as postagens está me confundindo pra caramba, as vezes me perco nas idéias e não sei bem o que escrever, me perco nos sentimentos, nas palavras e não sei o que dizer, e isso me  deixa deslocada, me deixa sem lugar, sem chão.
Nunca mais depois de tudo encontrei o Derick, nenhuma noticia, ninguém sabe dele, ninguém nunca ouviu falar, de onde terá surgido aquele garoto que  encantou-me com uma nota, uma musica e um meio sorriso, Joanine também não teve noticias de seu príncipe, ela mal lembrava seu nome, então não sei se pra ela marcou tanto quanto me marcou, ele me disse que era de San Diego, engraçado por que não existe nenhum Derick de San Diego no campus de acordo com os arquivos da universidade, esse misterioso e instigante caso esta me deixando cada vez mais louca, quem esse garoto pensa que é, por que ele pensa que pode fazer isso comigo, aparecer e desaparecer assim da minha vida, como uma canção no radio, que começa, dura 3 ou 4 minutos e depois acaba, passa e dá lugar a outra musica, outro ritmo, outra historia, marca outra vida.
Joanine está bêbada, como se já não bastasse, desabafa e chora por um ex que deixou em New Jersey, na verdade eles já eram ex quando ela veio pro campus, eles não terminaram como eu e James, por uma escolha errada, mas na verdade a gente sempre se arrepende das escolhas por melhores que elas sejam não é mesmo? Seriam elas então todas erradas mesmo quando tendem a serem corretas? Nao faço a mínima idéia, essa é a verdade.
Enfim eles terminaram, por que ela o pegou na cama com a irmã mais nova, de apenas 16 anos, e como se já não bastasse, a garota ta grávida do cara que ela ama essas coisas que só acontecem na periferia dos EUA, ou não, enfim, Joanine recebeu uma chance da vida, e não sei quais os motivos a trouxeram ate aqui, mas ela veio, e esta aqui, curtindo sua chance de ser alguém muito diferente do que a sua Irma se tornara, ou não, isso vai depender do que ela escolher, e que seja feita sua vontade.
Enquanto isso, na radio toca uma canção antiga, que mamãe costumava cantar pra mim quando eu ainda era uma criança, parece estranho, mas escuto a radio do Brasil, me lembra um pouco a infância e assim sinto menos saudade do tempo em que eu me amava, e que eu sabia o que escolher, sabia quem eu era, por que você é suas escolhas, mas no fim, acaba se tornando suas lembranças.

E foi assim que a vida se seguiu depois que resolvi partir, apagar, abandonar tudo que me prendia e não me deixava absolutamente feliz.

Hoje é dia 30, seria meu aniversario de namoro com James, se ainda estivéssemos juntos, mas como sempre gentil, ele me mandou um cartão, me contou coisas interessantíssimas sobre os negócios, as viagens, a sua nova vida, a vida que ele escolheu pra ele, e eu permiti.
Bom, Álvaro, Álvaro, o belo Álvaro de olhos azuis e sotaque bonito, o português que mexeu com minha cabeça, me deu segundos de felicidades e tardes de chá na bela Lisboa, bom eu simplesmente desapareci de sua vida, e ele não fez muito esforço para que eu voltasse a procurá-lo, e não voltei, a vida segue, amores vão e vem a toda hora e a bela Lisboa, continuara bela mesmo sem a luz daqueles olhos azuis olhando pra mim.
Luca, meu sensível, aventureiro, sensato e compreensível, em algum momento ele tinha que seguir sua vida, em algum momento ele teria que esquecer, e eu também, a pergunta que paira entre nós é quando, por que não foi, por que se ele era tudo que eu queria, e eu tudo que ele queria, se sonhávamos os mesmos sonhos, e se nos encontrávamos neles, eu não sei, nossos destinos foram divididos, partidos em pedaços, e os sonhos, esquecidos naquela parte da memória que às vezes volta à tona e te deixa morrendo de vontade chorar, principalmente quando aquela musica te faz relembrar tudo que vocês já viveram Luca, o meu menino sonhador, o possível pai de um futuro distante, de três crianças, a casa branca com um jardim gigante, os carros, os cachorros, um São Bernardo, por que eu queria, e um Labrador como ele queria, as crianças, a felicidade, os planos, eu que nunca sonhei com uma vida assim, me apaixonava cada vez mais por todos esses planos, e os perdi, ele deve ter os mesmo planos hoje, com Marcela, é, depois de tudo, de tudo e apesar de tudo, Luca se permitiu encontrar outra pessoa, era o meu pedido a Deus toda noite, que ele encontrasse alguém que o fizesse feliz, e que fosse tão real quanto eu não pude ser, ou que ele não encontrasse e que pudéssemos ser aquilo que sonhávamos, ah os sonhos, tão lindos são os sonhos, mas não passam disso, não passam de memórias quando se põe tudo a perder, foi minha escolha, eu quis assim, e vai ser assim, querendo eu ou não, ate o final.

Minhas escolhas me fizeram o que sou hoje, não que eu seja triste, ou infeliz, sou somente conveniente como diria minha mãe, resolvi colocar os pés no chão e aceitar meu destino, pra que sonhar com amores impossíveis, é que no fundo, um príncipe sempre encontra sua princesa, e definitivamente,eu não sou uma princesa, embora algumas pessoas insistam em me chamar carinhosamente de princesa, não sou uma, nunca vou ser, e não tenho direito de fingir ser o que não sou.

Talvez um dia, olhando seus olhos enquanto você segue seu caminho rumo ao céu, eu vá olhar seu vôo, e vá rir de tudo isso, ou não. Talvez um dia.