Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas, por isso enquanto eu tiver perguntas sem respostas, continuarei a escrever, é ano novo, é vida nova, sonhos são renovados e promessas refeitas, ou não, talves sejam essas promessas e pactos quebrados que destruam uma vida, um relacionamento, uma historia, algo que duraria anos, torna-se algo com prazo de validade curto. Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
A docura antes vista, resumiu-se a chantachens e chatiações, o sentimento de ciume que antes ardia em seu peito, tornou-se mero desprezo, tornou-se indiferença, tornou-se compaixão. Não quero que sintam pena de mim, ou que me amem, ou digam que me amam, eu desprezo esse sentimento que me traz repudio, o amor, ou falso amor nos torna fraco, o fato é que sinto falta dele, é como se me faltasse o dente da frente excrucitante. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.
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